| Depois de quatro anos de muita
pesquisa e estudo, veio o Título, que agrega às realizações
profissionais do entrevistado
A tarefa era desenvolver um texto para o jornalismo impresso, como
atividade proposta pela professora de Técnica de Reportagem.
Algumas idéias foram tomando conta do pensamento e optei
por uma entrevista com o professor Arten, que há pouco tempo
concluiu mais uma etapa de sua carreira acadêmica.

-Como tem sido sua trajetória profissional?
“Exerço várias atividades, mas prefiro falar
como jornalista e professor. Como jornalista estou na profissão
desde que me conheço por gente. Comecei fazendo jornal de
escola quando ainda cursava o segundo grau. Aos 15 anos de idade
estava no rádio”.
Ele comentou que aos 17 anos já era redator-chefe de um jornal
local. E a partir daí, trabalhou em revistas, editora, escreveu
livros. “Depois resolvi seguir a carreira acadêmica
e comecei em dose dupla: lecionando e estudando ao mesmo tempo.
Em Graduação fiz Direito e a seguir Comunicação
Social- Jornalismo”, disse.
-Foi difícil conquistar o título de doutor?
“Fiz dois anos de mestrado, na Faculdade Cásper Líbero
e depois, mais quatro na PUC-SP, em Comunicação e
Semiótica, quando então concluí o doutorado”.
-O que mais o marcou nessa trajetória?
“Muita luta, muito esforço e muito trabalho. Para quem
iniciou a vida como engraxate e depois comerciário, foi um
longo caminho”.
-Fale um pouco sobre o tema de sua tese?
-“Estudei a comunicação pública online.
Aproveitei para estudar, profundamente, o relacionamento do estado
com os cidadãos, as diferentes correntes políticas
e a questão da participação popular nas decisões
do estado”.
O professor ressaltou que também estudou a questão
da Cibercultura: “O que muda na vida de cada um de nós,
o que acontece com aqueles que não conseguem acompanhar a
rapidez das mudanças impostas pela nova cultura”.
Ele se mostra favorável a essa evolução: “Não
sou contra e nem teria sentido desaprovar o uso das novas tecnologias,
da Internet e da comunicação on line. Pelo contrário,
defendo que o potencial seja usado para a emancipação
da sociedade”.
E faz um alerta: “O que temos a fazer é voltar nosso
olhar para os excluídos, para os que estão à
margem da sociedade e usar dessas tecnologias para diminuir a distância
que separa os diversos segmentos da sociedade. A rapidez da vida
atual (a dromocracia cibercultural) imposta a tudo e a todos, cria
situações perversas de exclusão. A tese se
concentra no surgimento de um novo tipo de exclusão”,
disse.
Francisco Arten faz uma comparação: “Antigamente
tínhamos o desempregado. O prefixo [des] sinaliza uma situação
temporária. Agora temos os redundantes, aqueles excluídos
do jogo do mercado, sem possibilidades de retorno. Os a-sociais,
na definição de Marilena Chauí”.
Para ele o estado vive, atualmente, uma crise de credibilidade.
“Houve o rompimento de relação do Estado com
o cidadão. A comunicação pública on
line sinaliza este rompimento. Na verdade, os portais públicos
são ótimos enquanto prestadores de serviço.
Trata a todos muito bem, como contribuintes. Já com relação
ao cidadão, o tratamento é outro. Não existe
cidadania, democracia, experiências emancipatórias
na comunicação pública on line”, afirmou.
-Qual sua dica para calouros e veteranos da academia, do curso de
jornalismo?
“Estudem. Sempre e muito, Lembrem-se de que somos, acima de
tudo, cidadãos. E que existe uma diferença grande
entre cidadão e indivíduos. O indivíduo está
preocupado em resolver os seus problemas pessoais; enquanto cidadão
pensa na comunidade. O indivíduo é o principal inimigo
do cidadão. Sejamos primeiro, cidadãos”.
Agência Experimental de Jornalismo
Cássia P. Araújo
Acadêmica Extensionista
Fátima Ribeiro-Mtb: 10.674
Professora Orientadora
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